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Posted By: Giovanni Colares

Posted On: Aug 7, 2003
Views: 786
comentário ao Artigo Estamos

Sr. Kanitz.
Sobre seu eloqüente artigo "Estamos todos emburrecendo" há uma lógica muito forte, mas por ser excessivamente retilínea – tal lógica – perde-se na complexidade desta nova era em que o conhecimento multiplica-se e cresce exponencialmente, não mais na forma de um edifício em cujo seu raciocínio não conseguiríamos mais subir alguns andares (e que talvez por isso apequenaríamos-nos na suposta burrice crescente que seu artigo sugere sob a sombra e o concreto massacrante do conhecimento crescente).


A Economia do Conhecimento Complexo que hoje vivemos não pode mais importar os velhos conceitos da Mecânica Clássica, nem sequer da Medicina sistêmica, ou em outros pensamentos comparativos lineares (ou de baixa complexidade), coisa que confortavelmente moldava a realidade da Economia Material (verbo no passado de propósito, já que o capital global distorceu algumas verdades antes tidas como tais).


Para se ter algum modelo, podemos pensar no da teia (que veio à luz de forma mais forte com a comunicação descentralizada e caótica promovida pelas redes mundiais de computação: como a intenet!). Quando se pensa em rede não é o tamanho da própria quem determina seu verdadeiro potencial, mas a forma como os pontos se ligam (o que se chama de "nós"). Não é fácil raciocinar mais em cima de algum modelo hierarquizado, portanto.


O grande desafio, inclusive do desenvolvimento pessoal (e por conseguinte profissional) não é mais acumular o conhecimento (ou subir o prédio gigantesco, por assim dizer de forma parabólica). É óbvio que uma estrutura mínima (para se manter o pensamento linear) é exigida, é como se fossem os pontos de apoio da rede de uma teia de aranha, galhos, muros, chão, aquelas cordinhas estiradas que em criança observamos e que qualquer criança pode ver em quintais e jardins (nos que ainda hão!) que determinam o apoio da teia. Assim, a educação ainda é o ponto básico da construção e evolução desta sociedade. Continuando neste modelo, a construção do sucesso de cada cidadão deste tempo, que Peter Drucker batizou de "a era da informação e do conhecimento", será feita de forma circular, espiral ou até heliocoidal, mas nunca de forma linear, pois é preciso construir os "nós" que determinarão a força e as possibilidades do movimento de cada um de nós em torno desta selva de informação que cresce assustadoramente. Saber como – e onde – obter este capital novo e diáfano é a grande questão para organização e indivíduos. Até agora, creio eu, o que tem acontecido como sucesso tem passado por um misto de evolução, adaptação e um tanto de sorte (aleatoriedade) que pensado assim (sem muita paixão e com uma frieza científica) pode ser comparado aos estudos de Darwin sobre a evolução das espécies. Um exemplo clássico é o do refrigerante mais vendido no mundo, cujo capital intelectual (conjunto de ativos intangíveis como conhecimento, marca, conceito) é bem maior que o próprio capital financeiro.


Doravante, as empresas não poderão mais contar com a sorte, a evolução e a adaptação será uma constante, movida pela necessidade de sobrevivência que cada vez mais dar-se-á em um intervalo de tempo mais cruel, pelo ciclo acelerado da economia global: que aperta o fator da competitividade.


A ecologia do conhecimento, é bem complexa, ainda desconhecida para nós apesar dos primeiros passos do Iluminismo no séculos passados, dos saltos complexos das ciências durante todo o século XX (inclusive com a tecnologia cristalizando o poder de conhecer a natureza) e com o susto da Aldeia Global finalmente concretizada na virada deste século.


Não haveremos de estar mais burros por tanta possibilidade, o que não podemos é seguir nos passos daqueles híbridos eqüinos que por analogia nomeia os que pouco ou nada usam de sua inteligência, antes: precisamos de asas. Não podemos ter medo; muito temo quando pessoas de sua estatura e projeção na comunicação assustam (e assustam-se) com o novo. O único medo que poderemos ter nesta desafiante etapa da evolução humana será aquele que Guimarães Rosa chamou de o "medo para frente", a coragem que nos impele a estar sempre prosseguindo: à despeito de todas as resistências e tropeços que os caminhos possam oferecer...


Giovanni Colares (giovannicolares@usa.net)

Consultor Organizacional

(Caso interesse-se de conhecer um dos ramos que preocupam-se com a complexidade do conhecimento em nosso tempo, no âmbito organizacional, recomendo o site da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento: http://www.sbgc.org.br )


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