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Posted By: Sebastião A F Júnior

Posted On: Jan 12, 2005
Views: 2113
A CRISE DOS PAIS IMPERFEITOS

Admirável a qualidade do conteúdo dos seus artigos, dotados de linguagem clara associados a uma rara e impressionante lucidez. Parabéns!


Posted By: Pedro Ferrari

Posted On: May 7, 2004
Views: 1915
Soberanos e soberanias

Caro Kanitz.
Tendo lido seu artigo sobre "a crise dos pais imperfeitos" na revista Veja de Março, algumas questões surgiram ao meu entendimento.
Como historiador, reconheço e aprovo seu ponto de vista. Desde nosso tempo de colônia lusitana, estivemos em contato com experiências de expectativas perante nossos governantes que enxergo como tendo se transformadas em uma espécie de legado cultural. Tal como aguardando pela volta de D. Sebastião no porto de Lisboa, temos uma forte tendência a imortalizar líderes, e não a pátria. Eis que poderíamos explicar a calmaria que sucedeu o tormentoso periodo regencial ao se colocar o tão esperado imperador D. Pedro II, ainda que menor de idade, no trono, hordas migracionais no Sertão nordestino quando da proclamação da República, o surgimento de homens como Padre Cícero, Antônio Conselheiro, Getúlio Vargas, Lula. Aguardamos sempre uma espécie de "salvador da pátria" e, do alto de nosso evidente sentimento de orfandade, transpomos para um único indivíduo nossa carência por ícones.
Concordo ainda mais ao relacionar tal característica a esferas mais cotidianas de convívio; nada mais óbvio em uma terra onde o conceito de família já tanto se confundiu com o de pátria. Dicionários de século XIX definiam "família" como "as pessoas de que se compõe a casa, e mais propriamente as subordinadas aos chefes, ou pais de família". Um país onde o poder familiar, pretensamente patriarcal, se confunde com o pátrio; de dentro de nossas expectativas perante nossos pais poderíamos compreender nossas próprias carências políticas.
Obrigado pela atenção,
Pedro Ferrari


Posted By: alexandra trifler

Posted On: Apr 13, 2004
Views: 1964
a crise dos pais imperfeitos

Prezado Sr. Kanitz,
Acabo de ler o seu Ponto de Vista sobre a Crise dos Pais Imperfeitos na Revista Veja sobre o qual gostaria, com sua permissão e com o maior respeito, fazer um comentario. Fiquei impressionada com a precisão e acuidade com que diagnosticou a questão entre pais e filhos, o conflito entre as gerações e com a maneira clara, simples, direta e inequívoca com que colocou a questão da ética e do comportamento humano desde tempos imemoriais. Devo confessar que nunca vi ninguém colocar dessa maneira (a não ser em textos de fundo "religioso") essa questão tão fundamental e tão dramática sob todos os aspectos e de tão graves consequencias,que lida com as relações humanas e em particular com a questão dos jovens. Mas permita-me discordar radicalmente com o conteúdo do parágrafo de seu artigo que começa por declarar "É uma revolta injusta contra os pais..."
Ao contrário acho que ela é totalmente justa e mesmo necessaria. Nós, pais, nossos pais e nossos antepassados, criamos esta sociedade desde tempos imemoriais, baseada em nossa mediocridade, nossa estreiteza, limitação, avidez, ciume, inveja, brutalidade, violencia, espírito de competição, em suma nossa ignorancia e escuridão. Nós somos responsáveis pela mediocridade, pela estupidez, pela vulgaridade, pela falta de sentido do espírito tribal e pelo sectarismo religioso de nossas sociedades. A sociedade só poderá mudar se o ser humano mudar. Se cada um de nós não se transformar radicalmente, jamais as sociedades serão diferente do que elas sempre foram. Elas estão aí, nós as fizemos, construimos, e elas por sua vez nos condicionam. Elas nos moldam tal como nós as moldamos.
Respeitosamente
alexandra trifler