Artigo: A Herança Cultural da Inquisição
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Posted By: Luis Gonzaga Góes

Posted On: Jan 29, 2008
Views: 395
Herança da Inquisição

Caro Professor Stephen,
muito apropriada a expressão que mineiro (natural de Minas Gerais) é "pão duro e desconfiado".
Pão duro é a maneira como conhecemos os judeus.
Desconfiado vem desta época, da Inquisição, porque eles temiam a todos. Não podiam se abrir com qualquer pessoa e estavam sempre a espera de uma má notícia como "teje preso", em nome da Santa, Amada e querida Igreja Católica.
Ora, Professor, sabemos que um dos maiores contigentes de cristãos-novos aportou nas minas geraes, vindos de Portugal, na esperança de também conseguir o cobiçado ouro e o diamante.
Dai, herdamos a mentalidade cristã-nova de ficar calado, não gastar e guardar o máximo de ouro para que, se for preciso, sair correndo com a família para outras plagas e começar vida nova, mas com a "plata".
É apenas um mineiro, de Belo Horizonte, tentando esclarecer porque que os mineiros são conhecidos no Brasil pela alcunha de "pão duro e desconfiado."
É como o Sr. escreveu na sua ótima crônica:
"Uma das coisas mais difíceis neste país é saber o que se passa na cabeça de um mineiro. Não permitir que alguém pudesse ler sua mente, ou chegar a uma aproximação de suas reais intenções, era uma condição básica de sobrevivência na Inquisição, algo que os mineiros cultivam até hoje."

Luis Góes



Posted By: silv

Posted On: Feb 22, 2005
Views: 1268
nossa herança

Trazemos em nós uma herança invisível, porém poderosa. Não é apenas aquela gravada em nossos genes, mas uma herança memória de antepassados que colaboraram para nossa formação atual. Somos o resultado de um passado. Que iremos passar a um futuro... na memória há fantasmas transfigurados, mascarados... que se camuflam enquanto figiam... estes povoam nosso inconsciente, por mais que seja coletivo... e se infiltram em nosso cotidiano, sorrateiramente...
silv


Posted By: Paulo César Mendes

Posted On: Feb 12, 2005
Views: 1327
Outra explicação

Caro Prof. Kanitz,

o fenômeno é bem visível, e a constatação é interessante. No entanto, creio que uma explicação mais provável é a estrutura do Estado e da própria sociedade: patrimonialista e sem regras claras, onde as relações pessoais e afetivas são mais importantes que a letra da lei. Daí a necessidade de não ofender ninguém, pois a bem-querença alheia se torna um bem importante, quase uma forma de capital.

Atenciosamente,
Paulo César